E o que o dia tem de bom?

Apolítica, eu? Ah, não fode!

Publicado por: aviehmayer em: Julho 9, 2008

Estava eu aqui pensando em como terminar uma application, e surtando por causa disso, quando decidi-me a escrever no blog. Só porque não é café da manhã, não significa que eu não possa me conectar virtualmente, certo? Até porque o blog é meu, e tem toda essa baboseira de direito privado e blá, blá, blá, que vou deixar para outro post mais filosófico.

Para todo lugar que vou, leio e olho encontro o assunto das eleições. Quando era mais jovem sempre achei essa merda um carnaval, até porque, eleições sempre foi um assunto etéreo na minha cabeça perturbada. Quando entrei para a faculdade de ciências sociais, ficou pior, porque entre entender os textos clássicos, e, tentar compará-los à realidade, senti-me mais perdida do que cego em tiroteio. Houve uma época, em que minha mãe queria que eu indicasse candidatos para ela: “Já que você estuda política, vou votar naquele candidato que você votar.” Isso só contribuiu para me deixar mais desesperada, porque eu não tinha a menor idéia de quem escolher.
Depois de 1 ano e meio trabalhando no Governo do Estado do Rio de Janeiro, deu para entender um pouquinho (muito pouco mesmo) do que seria um Governo e do que seria um Estado. A diferenciação pode parecer estúpida já que os intelectuais de plantão, podem vomitar Montesquieu e Rousseau de cor e salteado, mas para as pessoas simples e perdidas, como eu, vale a pena comentar.

O Governo é a parte política, aqueles que decidem de acordo com sua vontade (seja ela baseada em ética, sentimentos, teorias políticas, oportunismo, poder e oportunidade), é a cabeça do “monstro” de More (ou Morus). É a parte pensante, nem sempre executiva, mas que, com certeza, influencia no restante do conjunto.

Vamos deixar uma coisa muito clara aqui: se você elege o fulaninho de tal para ser seu Presidente, Governador ou Prefeito, não é ELE(A) que vai fazer o trabalho, não é ELE(A) que vai acompanhar o trabalho, não é ELE(A) quem irá sequer gerenciar o trabalho. Mas é ELE(A) que vai decidir sobre o que fazer. Isso é muito importante, porque, muitas vezes pensamos que fulaninho é um(a) ladrão(ladra) filho(a) da puta que nada faz.

ELE(A) não faz, porque não é ELE(A) que tem que fazer alguma coisa. ELES(AS) não estão ali para isso!

Depois de tomar as decisões, os governantes delegam para outras pessoas o que se deve fazer. E aí entra o restante do monstro: o corpo. Ou melhor a máquina pública.

A máquina pública, ou Estado propriamente falando, vai desde o atendente que tira sua identidade no posto, até o Secretário de Estado, Ministro, ou Secretário Municipal. E nem pense que o atendente que tira sua identidade não tem nada a ver com o Ministro, porque eles estão ligados em cadeia. Uma cadeia LONGA é verdade, mas uma cadeia FECHADA.

Por exemplo, se o Ministério das Relações Exteriores fechar um protocolo com Cuba para facilitar a entrada de brasileiros no país, serão gerados novos protocolos, passaportes e taxas, que o coitado do atendente de balcão TEM que saber ANTES de atender as pessoas que tem dinheiro para ir à Cuba.O dinheiro para capacitar esse atendente vai sair do seu bolso, mesmo que você ganhe salário mínimo e jamais vá a Cuba em toda a sua vida.

Voltando ao assunto das eleições, você não escolhe o fulano. Você escolhe, os Gerentes de alto nível – Secretários, Sub-Secretários, Assessores, e às vezes até assistentes (e acredite, eles são mais importantes do que o fulano no momento de colocar seu voto na urna).

E são essas informações, que NÃO SÃO VEICULADAS decentemente pela mídia, que te interessam. São essas informações estúpidas, que vão fazer diferença na hora de você votar. São essas informações, chatas, sem apelo popular (porque essa galera é insossa), que vão reger os próximos quatro anos de nossas vidinhas.

Bonito não?

Eu poderia escrever uns dez posts sobre a “influência da teoria política nessa brincadeira”, a “posição dos partidos” (que passa LONGE do que estudamos na faculdade), a “força do empresariado” (que nem é discutida nas universidades, o que eu acho um acinte!), ou a “posição dos chamados técnicos” (que ninguém está nem aí, salvo quando têm notícias de greves).

Mas tenho outras obrigações e não posso me estender muito. Quem sabe outro dia…

Ainda vou escutar muita merda até outubro…até lá me estressarei bastante…

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